domingo, 10 de janeiro de 2010

A filosofia e a educação.

A função da filosofia em nossa prática pedagógica é auxiliar a construção do saber, da aprendizagem, pois surge a partir de nossa experiência de vida.

A verdadeira filosofia não é aquela que encontramos em livros, teorizada em belas frases. Antes é aquela que criamos ao praticá-la em nosso dia-a-dia, e nos possibilita belas vivências. Nossa arte, como pedagogas, está exatamente no ato de trazer a riqueza dos pensamentos e escritos filosóficos para o presente, para nossa vida.

Podemos começar relacionando nossa vida de pedagoga com “O Mito de Sísifo”. O texto narra a trajetória de Sísifo, um salteador que acorrentou a morte, testou o amor, convenceu a morte a ressuscitá-lo e acabou condenado pelos deuses “a incessantemente rolar uma pedra até o topo de uma montanha, de onde a pedra cairia de volta devido a seu próprio peso”. Apesar de ter consciência desse “absurdo”, o personagem não se desesperava porque nele consistia o sentido, o significado e a razão do viver dele.
Como pedagogas, nos tornamos escravas, assim como Sísifo, “destinadas” a continuar nosso trabalho de rolar a pedra diariamente. Apesar de ver o “absurdo” em nossas vidas, também não nos desesperamos, pois é nesse trabalho que crescemos, amadurecemos, encontramos satisfação de sair de nossa cômoda ignorância e encontrar a luz, ou seja, o conhecimento, e o privilegio de compartilhá-lo com nossos alunos.
Essa busca do conhecimento, da verdade, nos remete ao “Mito da Caverna”, escrito por Platão, onde o filosofo mostra, metaforicamente, a condição humana perante o mundo. Na alegoria, o autor descreve pessoas presas por amarras, no fundo de uma caverna, onde vivem, ilusoriamente, interpretando as sombras como realidade. Somente quando libertam-se dos grilhões e saem rumo à luz é que encontram a verdade e explicação da realidade.
As amarras do ser humano, para Platão, são a sua própria ignorância. Precisamos sair da “sombra”, ou seja, da comodidade de achar que não somos capazes, e buscar dentro de nós nossa real capacidade, saindo assim de nossa “caverna interior” rumo à realidade.
Nossa postura como pedagogas nos fará, então, tirar outros dessa ignorância. Cabe a cada uma de nós buscarmos o esclarecimento necessário para realizar nossa tarefa.
A partir do momento em que “ousarmos conhecer” (Sapere aude) nossa realidade, nossa família, nossos alunos, nós mesmos, é que sairemos da condição de menor e seremos capazes de usar nosso entendimento, sabendo como nos expressar e nos portar.


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