sexta-feira, 14 de maio de 2010


TORNEIRO, José Manoel Perez. (Coord.) A educação para a televisão. Propostas para a utilização do media televisivo na escola. (capitulo 8). In: Comunicação e Educação na Sociedade da Informação; novas linguagens e consciência critica. Portugal. Porto Editora: 2007, p.175-185.

 
Devido à grande influência dos novos media de comunicação, a educação tem sofrido grandes problemas. O comportamento agressivo, rebelde, consumista e até mesmo permissivo presente em nossa sociedade, é um espelho nítido dessa força persuasiva e manipuladora. Programas que apresentam a violência como algo “divertido” ou “normal”, que estimulam nas crianças e nos pré-adolescentes comportamentos sexuais, que inúmeras vezes os empoem a situações e problemas desnecessários, que banaliza maus hábitos e visa apenas incentivar o consumidor a “comprar”, a “gastar” e a “ter” são alguns exemplos que mostram a necessidade de sermos “consumidores inteligentes” e ensinarmos nossos filhos e alunos a serem também.

Assim sendo, quando Sublet et alii (1996, PP, 101ss) nos propõe uma “pedagogia da televisão”, nos faz refletir sobre como ensinar os alunos a verem televisão. Ao invés de, colocarmos a televisão como inimiga da educação (Mander, 1984), devemos buscar as inúmeras possibilidades educativas presentes nela para desenvolvermos o olhar critico e criativo em nossos alunos. Dessa forma estaremos tornando a televisão, efetivamente, “num poderoso media de transformação social e de serviço aos cidadãos.”

O texto aborda, também, a questão do ‘doseamento’ do consumo televisivo. Esse ‘dosar’ do consumo ocorrerá apenas quando os principais consumidores, no caso nossos alunos, entenderem o funcionamento e os objetivos da mídia e da televisão. No caso de crianças pequenas cabe aos pais estarem cientes do que seus filhos assistem e estipularem horários e programas a serem assistidos, bem como, conversarem depois sobre o que foi passado ali, e o que aprenderam com aquilo. A partir do momento que, assistimos televisão por assistir, para matar o tempo, ou para distrair uma criança, a função social se perde completa e inteiramente.

Algumas mudanças no sistema educativo tornaram a escola aberta para o uso da televisão, para desenvolver nos educandos a capacidade critica e reflexiva por meio do recurso audiovisual. “A educação em televisão” e “para a televisão” é possível sim e, acredito ser um grande auxilio no envolvimento do aluno nas atividades em sala de aula. Se a televisão é grande companheira na rotina de nossos alunos, desde o mais novinho, precisamos nos aliar a ela para mostrar-lhes a amplitude de significados e de coisas que podemos aprender e apreender do que assistimos na televisão, partindo de lições positivos com programas educativos e chegando até mesmo a discussões sobre o que ética, cidadania, cultura, ideologia, moral, entre outros, utilizando programas não tão educativos. Embora muitas famílias estejam desestruturadas para lutar contra o ‘vicio’ chamado televisão, a escola pode e deve desenvolver atividades e projetos que auxiliem os pais e os alunos a estabelecerem ‘bons hábitos’ televisivos, e nunca permitir que a dificuldade na aceitação desse ‘doseamento’, enfraqueça nosso trabalho ético, social e educacional.

Mariana Luzio