ATITUDE DE UM CIDADÃO ÉTICO!
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Projeto: Matematizando as histórias infantis.
Literatura Infantil nas Aulas de Matemática
Apresentação
Apesar de manter um contato íntimo e diário com a matemática, precisamos trabalhar “conceitos matemáticos” em sala de aula, de maneira lúdica e expressiva. Assim sendo, o uso da comunicação é essencial, tanto por meio da oralidade quanto pelas representações pictóricas.
Segundo Smole e Diniz, a maior parte dos problemas no ensino/aprendizagem da matemática estão relacionados á pouca habilidade de leitura. Embora outros fatores sejam grandes determinantes para o progresso da aprendizagem, devemos focar a importância dessa atividade de leitura e interpretação em matemática.
Seguindo esse prisma, encontramos a proposta de se trabalhar matemática com histórias infantis. As histórias têm o poder de tornar qualquer coisa possível usando apenas a imaginação e de fazer com que a aprendizagem matemática seja real e significativa para o educando, mostrando como números, formas e medidas estão presentes em suas vidas cotidianas.
Notamos a eficácia no uso das histórias para ensinar matemática no que Bettelheim salienta em seu livro: “Psicanálise dos contos de fadas”, PAZ E TERRA 2002,
Para dominar os problemas psicológicos do crescimento – [...] ser capaz de abandonar dependências infantis; obter um sentimento de individualidade e de autovalorização, e um sentido de obrigação moral- a criança necessita entender o que está se passando dentro de seu eu inconsciente. Ela pode atingir essa compreensão [..] familiarizando-se com ele através de devaneios prolongados – ruminando, reorganizando e fantasiando sobre elementos adequados da estória em resposta a pressões inconscientes.
Atividades embasadas em histórias ou contos infantis oportunizam, também, o contato com o vocabulário matemático, tão rico e singular. Algumas palavras e expressões próprias dessa ‘linguagem’, quando trabalhadas dessa forma, facilitam a compreensão e assimilação dessas terminologias.
Livro trabalhado pelo grupo: O HOMEM QUE AMAVA CAIXAS.
Atividades propostas pelo grupo
Bingo Musical
O homem que amava caixas
Era uma vez um homem que amava caixas
De cores diferentes ele colecionava
Mas ele perdeu-as e não sabia onde encontrá-las
Vamos ajudá-lo?
1-Debaixo da mesa ele encontrou 5 amarelas
Em cima do sofá ele encontrou mais 3... -Então 5 + 3 é igual á... (8)
2-Agora, os azuis, no armário da cozinha.
Tinham 2 caixas, e mais 1 na bacia. Então 2+1 é igual a... (3)
3-Nossa! Que legal! Caixas verdes no quintal,
Achar 2 num cesto e mais nove no varal. Quanto dá o meu total?
4-Foi no seu banheiro que achou uma vermelha
8 em baixo do chuveiro e +4 na banheira, quantas caixas eu teria? (12)
5-Na caixa vermelha ele guardava 3 carrinhos,
Na azul tinham mais 3, com + 8 quantas tinham? (14)
6-Lá no chão do quarto, tinham sempre 2 pipas,
3 na caixa verde, com mais 2 quanto fica? (7)
7-Nossa! Que estranho! Ele tinha 7 barquinhos,
4 verdes e um branquinho. Quantos amarelinhos faltam? (2)
8-Numa caixa bem grandona ele guardava 10 balões,
Porém estouraram 5, quantas ficam, pois, agora? (5)
9-Ele tinha 5 caixas com um brilhante em cada ponta,
Se 4 forem roubadas, quantas sobram? Faça a conta! (1)
10 - Ele, um dia, viu que o filho, tinha caixas de papelão,
3 dentro da sapateira e 1 em baixo do colchão. Quantas caixas têm, então? (4)
- O homem era organizado, mas o menininho não,
Tinha todos os brinquedos espalhados pelo chão,
O menino era seu filho, e ele, então, foi ajudar
Separando cada um pra guardar em seu lugar.
11-Eu achei 4 carrinhos – disse o homem ao menino –
E eu, 2 – disse seu filho – podemos, assim, juntar.
E somando 2+4 quanto será que vai dar? (6)
12-O homem se espantou, procurando, procurando
E encontrou um par de luvas com 1 dos dedos faltando.
Quantos dedos estão sobrando? (9)
13-O menino, muito astuto, disse ao pai – Vou ao banheiro,
Demoro 5 minutos – mas demorou certinho, o dobro
Quanto tempo foi ao todo? (10)
14-Quando o menino voltou, o homem tinha arrumado,
Faltando algumas coisas, que ele não tinha guardado.
5 Bolinas de gude, 8 jogos de botão, some os dois, depois me conte,
Qual o resultado, então? (13)
15- Duas caixas bem estranhas, eu vou contar pra vocês,
Numa tinha 10 pincéis e na outra 6 anéis.
Se eu somá-los entre eles, quantos desses eu terei? (16)
16-Por final to ansioso. Não aguento, eu vou contar,
10+5 vai dar 15, só pra gente terminar!
Cada aluno deverá receber uma cartela contendo o resultado de 12 das 16 contas de adição e subtração.
Freire, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários á pratica educativa, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.
Freire inicia explicando o que o leva a analisar a prática pedagógica do educador em relação à autonomia de ser e de saber do educando. Enfatiza a necessidade de respeito ao conhecimento que a criança traz para a escola, já que é um sujeito social e histórico, e da compreensão de que "formar é muito mais do que puramente treinar o educando no desempenho de destrezas".
Não podemos nos assumir como pesquisadores, como seres que têm e buscam seus objetivos, como sujeitos históricos, transformadores, a não ser assumindo-nos como sujeitos éticos. “É por esta ética inseparável da prática educativa, não importa se trabalhamos com crianças, jovens ou com adultos, que devemos lutar”.
Acima de tudo, ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando.
O professor que ironiza o aluno, que diminui o seu valor, que manda que "ele se ponha em seu lugar", tanto quanto o professor que se exime do cumprimento de seu dever de propor limites à liberdade do aluno, de ensinar, de estar respeitosamente presente à experiência formadora do educando, transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência.
Para essa finalidade, é preciso querer bem, gostar do trabalho e do educando. Não ingenuamente, permitindo atitudes erradas e não impondo limites, ou que simplesmente não veja o que se passa e espere de braços cruzados, mas um querer bem pelo ser humano em desenvolvimento que está ao seu lado, a ponto de dedicar-se, de doar-se e de trocar experiências, e um gostar de aprender e de incentivar a aprendizagem, e sentir-se realizado ao ver o aluno descobrindo o conhecimento.
Segundo Freire, "o educador que ''castra'' a curiosidade do educando em nome da eficácia da memorização mecânica do ensino dos conteúdos, tolhe a liberdade do educando, a sua capacidade de aventurar-se.
A idéia de coerência profissional, indica que o ensino exige do docente comprometimento existencial, do qual nasce autêntica solidariedade entre educador e educandos, pois ninguém se contenta com uma maneira neutra de estar no mundo.
Pois, quando fala de "educação como intervenção", Paulo Freire refere-se a mudanças reais na sociedade: no campo da economia, das relações humanas, do direito ao trabalho, à educação, à saúde, em referência clara a situação presente em nosso país e muitos outros.
Os princípios enunciados por Paulo Freire, visa promover a inclusão de todos os alunos e alunas numa realidade que dignifica e respeita cada um, principalmente por respeitar a maneira com que veem o mundo como ponto fundamental para a libertação e autonomia de seres pensantes e influentes no seu próprio desenvolvimento.
A esperança e o otimismo na possibilidade da mudança são um passo gigante na construção e formação científica do professor. Paulo Freire propõe, com isso, uma prática educativa que busque resoluções para os prováveis problemas educacionais, e para isso aborda os seguintes passos como ponto de partida: a rigorosidade metódica e a pesquisa, a ética e estética, a competência profissional, o respeito pelos saberes do educando e o reconhecimento da identidade cultural, a rejeição de toda e qualquer forma de discriminação, a reflexão crítica da prática pedagógica, a corporeificação, o saber dialogar e escutar, o querer bem aos educandos, o ter alegria e esperança, o ter liberdade e autoridade, o ter curiosidade, o ter a consciência do inacabado.
Expõe assim que, para cumprirmos nossa tarefa como educadores efetivos, precisamos ter a consciência da importância e da beleza desta tarefa, da importância de se poder fazer a diferença num sistema socio-econômico-político que apresenta uma visão opressora e cruel àqueles que não têm condições financeiras de obter informação, formação e conhecimento.
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