sábado, 3 de dezembro de 2011

Não tarda e a criança cresce


“Bela é a tarde, e noites há belíssimas; mas a frescura da manhã não tem parelha na galeria do tempo”. (Machado de Assis, 1895)


Ah! essa criança carinhosa, que se joga em nosso colo, se esparrama em nosso corpo, nos acaricia a cabeça, nos despenteia os cabelos. Aperta-nos as bochechas, enfia a mão em nossa boca, mexe no bico de nossos seios e busca a quentura do nosso corpo. Sim, o corpo é o espetáculo a ser visto, exibido e sentido por ela dia-a-dia...


Pedinte de afeto e repleta de carências, exige presença. Não nos permite sair à noite e pede para ficarmos “só mais um minuto”, sempre antes de apagarmos a luz do quarto. Curiosamente, não só lhe basta saber que a amamos, é preciso provar isso pela presença...


Espaçosa, brinca de esconde-esconde, de trepa-trepa, de amarelinha e se sente no mais absoluto paraíso celeste quando a levamos ao parque. Todavia, se todo o espaço do universo lhe fosse ofertado, ainda assim seria pequeno...


Levada da breca e exibida, xinga, morde, unha, mostra a língua, fala palavrão e desobedece. Esconde coisas, fantasia, mente e se joga no chão de raiva e ódio, quando ouve um não. Entendamo-nos: sua vida é muito mais de erros do que de acertos. Todavia, não há crescimento sem erros. Nunca...


Ah! essa criança travada, que estala um dedo no outro, querendo se lembrar de uma certa palavra que não lhe vem à boca. É bom lembrar: a mente funciona em descompasso com a sua expressividade; nessa, a intensidade parece estar mais nos sentimentos...


Manhosa, pobre coitada, não quer dormir, pois dormir significa parar de brincar, e não poder brincar tem tons de prisão e de asfixia. Para ela, a felicidade se resume no jogo, na bola, na boneca e, depois e sempre, na hora do recreio...


Tranqüila, adormece como um anjinho no nosso colo, no ônibus, no carrinho, ou na sala de visitas. Sim, o sono é seu companheiro inseparável e inesperado, um momento absoluto de paz...para todos...


Mal-educada, sem cerimônias e chata, invade o nosso quarto, à noite, pela manhã, ou a qualquer hora do dia. Come com a boca aberta, responde hostil, desrespeita o porteiro, ofende a dona da cantina e brinca com os limites. Tão preciosos, os limites, duros e necessários, elas os pede, posto que modos e maneiras não vieram nem consigo, nem em manuais de auto-instrução...


Ah! essa criança dramática, que quer tudo para si e não sabe dividir. Chora só porque não lhe demos uma bala, abrindo um berreiro, com lágrimas e pompa, como se estivesse frente a uma “desgraça” ocorrida. Oh! santo egocentrismo dos diabos...


Absorta e sonhadora, pede para repetirmos um sem-número de vezes a mesma história e a ouve como se inédita fosse. Repetir é o primeiro modo de a mente ter certezas! Embalando os seus sonhos, todos os deuses e divindades celestes entram em seu coração com uma história contada...


Ama obcecadamente o pai e a mãe e não aceita vê-los discutindo, ao léu ou à mercê das circunstâncias, pois não as entende. Incomoda-se de não os ter por perto, nem aceita responder a uma costumeira pergunta sobre qual dos dois ama mais. Para qualquer humano são necessários o pensamento e o sentimento; a criança só tem esse...


Gulosa, arregala os olhos, quando canta parabéns e olha para aquele bolo... para aquele brigadeiro, nunca sabendo bem qual deles escolher; depois, come os dois! É que os seus olhos são maiores do que a sua boca...


Ah! essa criança ansiosa, que, em um minuto, já se esquece do que lhe pedimos, da bronca tomada ou da frustração sentida. O mundo? Só aquele que vê e o que se descortina naquele exato momento, pois memória e lembranças lhe são poucas...


Inquieta, irrequieta, agitada, traquinas, turbulenta, desassossegada, não consegue parar um minuto. Dizem as más línguas ter um bicho carpinteiro no corpo...


Questionadora, constantemente guarda uma pergunta ou um pequeno comentário, e nos deixa perder a paciência, tirando-nos do sério com os seus filosóficos porquês. Responda-os com paciência, pois indecifráveis são as razões que os determinam...


Medrosa, necessita-nos por perto, pois se atemoriza no escuro, morre de medo de um palhaço, demora uma eternidade para entrar no mar e se afasta de um cão, escondendo-se por entre as pernas do pai. Antes só tivesse medos iguais a esses pela vida afora...


Ah! essa criança sagaz, que nos faz corar de vergonha quando pergunta: “papai, como foi que eu vim ao mundo?” E nos deixa em palpos de aranha quando exclama, questionando: “mas você colocou o pipi dentro da mamãe?!” A bem da verdade, os impuros somos nós...


Sem a mínima cerimônia grita: “mãe já cabei” e nos faz voar para o banheiro; ou: “mãe tô com sede” e nos faz ir para a cozinha; ou: “pai vem aqui” e nos faz aterrizar na sala. Dona que é do mundo, possui muitos ‘criados'...


Porquinha, volta do parque toda suja, como se tivesse voltado de uma guerra. Aí é o campo de batalha em que ela trava a mais séria luta para o seu desenvolvimento. O parque! Ora, pois, o parque, e nunca um shopping, é o melhor palco para crescer...


Oscilante, cai, esfola o joelho e abre o maior berreiro; no entanto, quando a pegamos no colo, uma brincadeirinha só de nossa parte, a faz rir e em seu semblante misturam-se, simultaneamente, dor e alegria, lágrimas e sorrisos. Como é duro não ser dono das próprias sensações...


Ah! essa criança mágica, que começa a se alfabetizar e, em um passe de feitiçaria, mistura letrinhas e mais letrinhas e sai por aí a ler a escrever. Verdadeira revolução em sua vida mental, bem-aventurado seja esse processo, o mais suntuoso de seu desenvolvimento...


(Maravilhosas, porém jogadas por nós em meio à rua, ficam algumas a limpar os vidros do nosso carro, fazendo malabarismos com bolinhas ou vendendo balas de hortelã. A maldição das desigualdades invade a metrópole e não há como vê-las nessa ocasião, sem perdermos o sono. Se a divisão é a última e a mais difícil operação a ser aprendida na Matemática, também o é na vida.)


Ah! essa criança onipotente, que não aceita as brigas acirradas dos pais. O amor deles, espécie de dádiva oferecida a ela pelos céus, precisaria ser perpetuado, senão pela família, ao menos pelo respeito. Respeito não é chegado a fazer contas, menos ainda a de subtrair. Lamento ser esta uma lógica tardiamente compreendida pelos adultos...


Não tarda e a criança cresce!


Aí está a pena da vida. Passa muito depressa este tempo surpreendente, caprichoso, perigoso e o mais encantador entre todos os que há. Síntese de nossa raça, orgulho da natureza, obra-prima das divindades. Ainda hoje, como outrora e sempre, não tarda e a criança cresce. E, como a contrariar as leis e a liturgia da existência, vai-se, e nos deixa órfãos e sozinhos.


Paulo Afonso Caruso Ronca 

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Onde vivem os monstros...

Onde Vivem os Monstros (Where The Wild Things Are), o livro de Maurice Sendak, é pra ler em dois minutos. Na obra de 1963, econômica no texto e com ilustrações de página inteira, o menino Max, é mandado pro quarto depois de fazer malcriações. Na cama, sem jantar, ele começa a imaginar um mundo onde pode reinar em paz. Até perceber, porém, a "vontade de estar em algum lugar onde alguém gostasse dele de verdade".




A concisão de Sendak torna-se, nas mãos de Spike Jonze (Adaptação), uma discussão sensível, verborrágica e um tanto depressiva sobre a infância e amadurecimento.



A adaptação do próprio diretor, ao lado do romancista Dave Eggers, busca significados e extrapola cada página do livro. Razões para a rebeldia juvenil de Max (Max Records) são criadas, assim como paralelos entre o mundo real e a terra dos monstros. Cada criatura ganha personalidade bem definida - manifestações das facetas do próprio Max, comuns à maioria das crianças - e intérpretes à altura.



Carol, vivido por James Gandolfini (A Família Soprano), é o principal deles. Representa a confusão egocêntrica e impetuosidade de Max e, não por acaso, torna-se o favorito do menino. A jornada é fruto justamente desses sentimentos. Gandolfini é o maior trunfo de Onde Vivem os Monstros e a cena em que Carol carrega Max nas costas um retrato do próprio filme. A voz anasalada, em que fragilidade, angústia e poder caminham juntos o tempo todo, é Tony Soprano pura.



Ao lado de Gandolfini estão Paul Dano (o bode carente Alexander), Catherine O'Hara (a agressiva Judith), Forest Whitaker (o amável e criativo Ira), Michael Berry Jr. (o contemplativo e melancólico Touro) e Chris Cooper (o solícito e companheiro Douglas). Completa o elenco Lauren Ambrose (a Claire de A Sete Palmos) como KW, o único sentimento externo à Max - o materno.



As relações funcionam de maneira excepcional. Cada diálogo entre os habitantes da ilha, uma tentativa infantil de compreender mudanças. Como o livro, Onde Vivem os Monstros é uma metáfora de crescimento interessante.



Enquanto fica nesse campo das sugestões, o filme é ótimo. O roteiro, porém, tem problemas. Talvez acreditando que ele funcionaria para crianças (não funciona, é adulto demais), Jonze parece ter sentido necessidade de explicar demais certos aspectos. Pegue a cena em que Max inventa à mãe a deprimente história do vampiro que mordeu um prédio, por exemplo. Serve como desnecessária introdução à criatividade do menino, algo que já estava claro apenas observando seu quarto, suas brincadeiras. Sendak precisou apenas de uma ilustração para mostrar isso. Jonze, verborrágico, lança mão de minutos de película.



Ao menos acompanha esse falatório constante uma direção de fotografia inspirada. Lance Acord repete a parceria de Quero Ser John Malkovich e Adaptação com Jonze, dando uma poética qualidade de filme independente ao longa de grande estúdio. Já a alardeada trilha sonora de Karen O., ex-namorada do cineasta e vocalista do Yeah Yeah Yeahs, ainda que excelente pra ouvir como álbum, é um pouco opressiva durante o filme. Funciona muito melhor durante as (poucas) cenas de ação - como a da "bagunça geral" e a guerra de bolas de lama - do que sobrepondo-se aos diálogos. É informação demais.



Enfim, é um filme esquisito. Infantil indie norte-americano pra adultos feito por um estúdio major, a Warner Bros. E vale lembrar que Jonze precisou de um ano a mais - e mais dinheiro - para terminá-lo depois que os produtores pediram a ele que equilibrasse melhor sua visão como cineasta e as necessidade de mercado, algo que oferecesse entretenimento ao grande público. Será que as explicações desnecessárias partiram dessa demanda? Ou o filme era simplesmente esquisito demais? A resposta deve se perder na história do cinema, já que o corte anterior não deve ver a luz do dia. Só o que se sabe mesmo é que, goste ou não, os monstros agora vivem também nas telas.

A influência dos educadores na vida pessoal dos alunos pode ser mais forte do que aparenta e gerar frutos permanentes

Mr. Holland: Adorável Professor.
Ao reger os alunos, o protagonista rege vários destinos ao mesmo tempo.
FILME: Mr. Holland: Adorável Professor, dirigido por Stephen Herek, com Richard Dreyfuss e William H. Macy, 1995.



A HISTÓRIA: Em 1964, um músico (Richard Dreyfuss) resolve começar a lecionar para ter mais dinheiro e assim se dedicar a compor uma sinfonia. Mas os alunos se mostram pouco interessados e as coisas se complicam quando a esposa dele da luz a um bebê surdo. Para poder financiar os estudos especiais e o tratamento do filho, o professor se envolve cada vez mais com a escola, deixando de lado seu sonho de tornar-se um grande compositor.



QUEM INDICA: o jornalista Paulo Maffia. “É um filme sensível, que mostra que Educação não é só livro e caderno, mas é formar e transformar seres humanos. Esse professor de música toca a vida das pessoas de forma diferente.”



POR QUE VER: “Você percebe que diante de todas as adversidades, diante de toda uma vida, é possível deixar uma história, uma construção. Às vezes, por mais tola e boba que pareça nossa influência na vida das pessoas, ela é contundente, muda mesmo”, diz o professor de biologia Leandro Alcerito, do Colégio Vértice, de São Paulo.



QUE BOM EXEMPLO TIRAR: “Numa das primeiras aulas, o professor coloca uma música dos anos 60 para tocar, algo bem importante naquele momento histórico. E depois chega ao piano e toca uma peça erudita para mostrar como as duas são parecidas. Isso mostra que o currículo tem de estar em consonância com o seu momento. É um saber organizado, construído ao longo do tempo, mas o educador tem de fazer diálogo com o que está acontecendo. Não adianta eu querer falar de música se não faço idéia do que é que meus alunos estão ouvindo. Eu preciso gostar? Claro que não. Mas tenho de saber”, diz Zilton Salgado, professor de artes, filosofia e sociologia do Colégio Vértice.

domingo, 1 de maio de 2011

TEMA: VULCANISMO.

CONTEÚDO A SER DESENVOLVIDO:

• O que são vulcões?

• Por que aparecem?

• Onde se localizam os principais vulcões do planeta?

• Por que aprender sobre vulcões?



PÚBLICO-ALVO:

Alunos do 2º Ano do Ensino Fundamental.



AREAS ENVOLVIDAS:

Química, física e biologia.



OBJETIVO EDUCACIONAL:

Proporcionar ao aluno o contato com tema (vulcão). Auxiliá-lo no entendimento do funcionamento básico de um vulcão (porque surgem, como surgem, porque entram em erupção). Levá-lo a perceber como a existência de vulcões está presente em seu dia a dia.



METODOLOGIA DE ENSINO:

RECURSOS COMPUTACIONAIS:

• Data Show.

• Computador.



RECURSOS FÍSICOS:

• Sala de aula.

• Auditório.

• Campo/quadra.

DESENVOLVIMENTO DO PROJETO:

A apresentação do projeto será feito por todos os integrantes do grupo, com duração de 40 minutos em média.



1ª ETAPA: Introdução do tema e levantamento de dados.

Estratégia: Apresentação de Slides com imagens de vulcões. Introduzir o tema e trabalhar as questões:

• O que são vulcões?

• Por que entram em erupção?

• Vulcões no Brasil. Existem?

• Relação dos vulcões com nosso dia a dia.

Material: Fotos retiradas da internet, computador, data show.



2ª ETAPA: Observação e localização de alguns vulcões no mundo.

Estratégia: A turma será dividida em grupos, e cada professor trabalhará 5 vulcões com seu grupo. Os integrantes do grupo deverão colar no mapa, disponibilizado pelo professor, o nome do vulcão de acordo com a localização. Após o termino, os grupos deverão comparar seus mapas, e assim terão a localização de 30 vulcões. As folhas de sulfite devem ser coladas na cartolina e expostas na sala de aula.

Material: Cartolina, Papel cartão vermelho, canetinha, 6 cópias de um mapa mundi (Papel A4), cola, durex.



3ª Etapa: Apresentação de um vídeo.

Estratégia: Através do vídeo, mostrar como acontece uma erupção vulcânica, e como foram as piores erupções vulcânicas da história.

Material: Vídeo: “Discovery channel - Vulcões - parte 1 de 5”

FONTE: http://www.youtube.com/watch?v=VPieRDxTtrk

4ª Etapa: Demonstração do funcionamento de um vulcão.

Estratégia: Maquete.

Material: Isopor e papel camurça verde (base), garrafa pet (2 litros), argila para moldagem, bicarbonato de sódio, vinagre e anilina vermelha.

5ª Etapa: Encerramento.

Discussão sobre o que a turma aprendeu/lembra. E, entrega de uma pedrinha vulcânica para cada aluno. ( pedrinhas vulcânicas usadas em biju) em média R$ 0,40 cada.