quinta-feira, 17 de junho de 2010



Resenha apresentada á disciplina Seminarios Interdisciplinares aob supervisão do Prof. Ms Adilson Roberto Corrér.

Freire, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários á pratica educativa, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.




Freire inicia explicando o que o leva a analisar a prática pedagógica do educador em relação à autonomia de ser e de saber do educando. Enfatiza a necessidade de respeito ao conhecimento que a criança traz para a escola, já que é um sujeito social e histórico, e da compreensão de que "formar é muito mais do que puramente treinar o educando no desempenho de destrezas".

Não podemos nos assumir como pesquisadores, como seres que têm e buscam seus objetivos, como sujeitos históricos, transformadores, a não ser assumindo-nos como sujeitos éticos. “É por esta ética inseparável da prática educativa, não importa se trabalhamos com crianças, jovens ou com adultos, que devemos lutar”.

Acima de tudo, ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando.

O professor que ironiza o aluno, que diminui o seu valor, que manda que "ele se ponha em seu lugar", tanto quanto o professor que se exime do cumprimento de seu dever de propor limites à liberdade do aluno, de ensinar, de estar respeitosamente presente à experiência formadora do educando, transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência.

Para essa finalidade, é preciso querer bem, gostar do trabalho e do educando. Não ingenuamente, permitindo atitudes erradas e não impondo limites, ou que simplesmente não veja o que se passa e espere de braços cruzados, mas um querer bem pelo ser humano em desenvolvimento que está ao seu lado, a ponto de dedicar-se, de doar-se e de trocar experiências, e um gostar de aprender e de incentivar a aprendizagem, e sentir-se realizado ao ver o aluno descobrindo o conhecimento.

Segundo Freire, "o educador que ''castra'' a curiosidade do educando em nome da eficácia da memorização mecânica do ensino dos conteúdos, tolhe a liberdade do educando, a sua capacidade de aventurar-se.

A idéia de coerência profissional, indica que o ensino exige do docente comprometimento existencial, do qual nasce autêntica solidariedade entre educador e educandos, pois ninguém se contenta com uma maneira neutra de estar no mundo.

Pois, quando fala de "educação como intervenção", Paulo Freire refere-se a mudanças reais na sociedade: no campo da economia, das relações humanas, do direito ao trabalho, à educação, à saúde, em referência clara a situação presente em nosso país e muitos outros.

Os princípios enunciados por Paulo Freire, visa promover a inclusão de todos os alunos e alunas numa realidade que dignifica e respeita cada um, principalmente por respeitar a maneira com que veem o mundo como ponto fundamental para a libertação e autonomia de seres pensantes e influentes no seu próprio desenvolvimento.

A esperança e o otimismo na possibilidade da mudança são um passo gigante na construção e formação científica do professor. Paulo Freire propõe, com isso, uma prática educativa que busque resoluções para os prováveis problemas educacionais, e para isso aborda os seguintes passos como ponto de partida: a rigorosidade metódica e a pesquisa, a ética e estética, a competência profissional, o respeito pelos saberes do educando e o reconhecimento da identidade cultural, a rejeição de toda e qualquer forma de discriminação, a reflexão crítica da prática pedagógica, a corporeificação, o saber dialogar e escutar, o querer bem aos educandos, o ter alegria e esperança, o ter liberdade e autoridade, o ter curiosidade, o ter a consciência do inacabado.

Expõe assim que, para cumprirmos nossa tarefa como educadores efetivos, precisamos ter a consciência da importância e da beleza desta tarefa, da importância de se poder fazer a diferença num sistema socio-econômico-político que apresenta uma visão opressora e cruel àqueles que não têm condições financeiras de obter informação, formação e conhecimento.

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